A Terra e o ambiente
A acção continuada da Humanidade tem seguido sempre no sentido de prejudicar o meio ambiente ou de o moldar aos seus interesses imediatos. Mas até o interesse imediato é por norma prejudicial, ainda que não intencional, ao interesse da própria humanidade quando encarado a médio ou a longo prazo.

Como grupo, a Humanidade evolui largamente alheia aos próprios problemas que causa. Como grupo não é capaz de os identificar, e mesmo quando, por demais óbvios, os identifica, não é capaz de tomar as decisões necessárias para os resolver ou no mínimo para deixar de ser a causa.

Apesar da capacidade de recuperação que a Terra e a Natureza por vezes apresentam, a degradação do mundo natural é por demais evidente e não parece próximo o tempo em que o Homem realmente faça alguma coisa para inverter a situação.

A capacidade de recuperação da Terra assenta em mecanismos de retroacção que são na maior parte das vezes desconhecidos da ciência. Mas não deixam de ser mecanismos naturais.
Se apenas a Humanidade deixasse a Terra seguir o seu rumo...

É essa situação que é proposta em Pagwagaya.
No século XXVII a Terra está em fase adiantada de recuperação. Livre da influência hu- mana, recuperou para um estado quase pristino, como não acontecia há vários milhares de anos. Florestas frondosas, animais selvagens, rios abundantes e montanhas intocadas.
E o Homem é continuadamente impedido de exercer novamente a sua influência.

De um modo metafórico, em Pagwagaya, a Terra tem meios próprios de defesa. É uma realidade paralela ao Homem que este não consegue ver, do mesmo modo que não consegue perceber ou resolver os problemas que causa. Mas esta outra realidade não é de todo passiva e, uma vez tendo assumido o controlo, vai forçar a Humanidade a aprender, a ver com outros olhos tudo o que a rodeia e a desistir do tipo de comportamento que teve durante todos os séculos anteriores.